Transformação Ágil… A busca pela melhoria!

Transformação Ágil… o próprio nome já diz… Transformar, mudar, adaptar, melhorar… A palavra transformação sempre me remete ao processo da lagarta tornar-se uma borboleta, pois é um movimento bem diferenciado… Fantástico não?! Acho um máximo! Mas toda mudança traz desconforto, dor, concordam? Pra lagarta também traz…muda o habitat,comportamento, ações… Imagine só andar rastejando, ter contato direto com o solo, não sair do chão e de repente poder voar…     É uma transformação e tanto!

Agora reflita comigo o seguinte: imagine você trabalhando numa empresa há 5, 10, 20 anos do mesmo modo, com as mesmas pessoas, os mesmos processos, o mesmo ambiente e ter que mudar, porque chegou uma nova forma de realizar o seu trabalho… Imaginou? Se sentiu a lagarta nesse momento? …. Pois é! Isso não aconteceu ou acontece só com você. Acontece com todas as empresas e pessoas que desejam melhorar seus processos, produtos e o conhecimento do seus colaboradores, seja para não perder mercado, para se manter bem posicionado ou até mesmo para ter uma nova forma de trabalhar, que traga benefícios para corporação. Falo isso porque eu já fui “lagarta” no passado… Fui sim! Acreditem! Passei por todos esses questionamentos, por toda essa transformação… Eh digo com todas as letras; não foi fácil! Mas quem disse que seria ne?!…

Não fui iludida por ninguém quando a Transformação Ágil chegou! Pelo contrário… Tive bons mentores ao meu lado nessa virada, os melhores que eu poderia ter naquele momento de transição: Manoel Pimentel (Coach Ágil) e Alexandre Magno   (Mentor Ágil). Minha eterna gratidão a esses dois profissionais que me iniciaram na Agilidade quando o Brasil nem sabia o que era ainda! Manoel e Alexandre eram Consultores (PJ´s) que foram contratados justamente para fazer esse trabalho na empresa. Mas por que trazer dois profissionais de fora? Por que profissionais que vem do mercado não carregam consigam todos “vicios” que a empresa já possui. Logo eles conseguem enxergar com mais clereza os problemas e os gargalos que as areas possuem. Tem também a questão da transparência… Consultores são pessoas que não possuem vínculo empregatício com a empresa. Eles têm mais liberdade e expetise para expor quais os pontos precisam ser melhorados e como podemos agir, sem ter que causar ruidos ou confusões internamente. A lógica é simples: a empresa esta pagando a consultoria para fazer esse trabalho e se o consultor não tem esse momento de inspecionar e adaptar, espaço e momento para promover as mudanças necessárias, não entrega resultado.

Consultora e Especialista em Transformação Ágil desde 2009, o meu trabalho consiste em passar um tempo com a área de negócios que esta me contratando. Na maioria das vezes a área de TI ou Desenvolvimento que demandam mais esse trabalho. Passo o dia com os executivos colendo processos, ferramentas, produtos, pessoas, expectativas, comportamentos, problemas, gargalos e principalmente, observo muito as pessoas… os gestos, a fisionomia, as ações… elas dizem dizem muito sobre a cultura da empresa.

Após ter feito esse levantamento e ter colhido muitas percepções, começamos a elencar quais times serão os primeiros a aderir a agilidade, quais os impactos que teremos com ferramentas, comportamentos, clientes internos e externos e quais áreas da empresa são dependentes do trabalho desse time. Comunicamos os envolvidos sobre a mudança, mostramos o roll out, treinamos as pessoas e fazemos mentoria durante toda adoação. Todas essas ações para realizarmos uma Transformação Ágil são praticamente um framework que fazemos com cada time, pois não fazemos todos os times de uma só vez. O risco é grande! A adoção precisar ser feita com cuidado e muito zelo, pois dependemos das pessoas aprenderem o processo, absorverem a nova cultura para que o projeto seja um sucesso. Portanto, é necessário fazermos com 1 ou 2 times no máximo por vez. Eu, trabalho sempre com o tempo de 3 meses no mínimo para começarmos a mostrar resultados nas entregas e no trabalho em grupo.

Outro ponto que ressalto de extrema importância é não usarmos NENHUM SOFTWARE no momento que as pessoas estão aprendendo um novo processo. Atrapalha as pessoas em vez de ajudar, porque elas precisam trabalhar, aprender o processo, aprender como funciona o software… É muita coisa!     Por favor, pessoas não são máquinas!

Eu sei que tem muitas empresas por ai que querem vender softwares embutidos com a consultoria ágil. Mas isso é extremamente ERRADO, porque as pessoas precisam aprender a trabalhar primeiro, para depois usarem softwares como repositórios. Essa passagem me lembra um artigo que escrevi ha algum tempo atrás: “O que implanto primeiro: PROCESSO OU SOFTWARE?”. Comece com quadros visuais para que todos vejam a mudança. Os quadros estigam a curiosidade dos times que não estão ainda participando e ainda aguçam a curiosidade de outras áreas. Use métodos simples de ensino-aprendizagem… quadros, canetas, post its, jogos… Pode parecer besteira para quem nunca aplicou ou participou, mas posso dizer como professora que são formas lúdicas e fáceis de qualquer pessoa absorver o processo. Não fale mal de algo que você ainda não experimentou 😉

Por último, digo que é necessário termos um consultor que conheça bem a rotina de trabalho dos executivos (gestão empresarial, produtos e estratégia), que oriente o processo de adoção ágil (cultura, Scrum, Kanban) e que também auxilie as pessoas a passarem por essa mudança com menos dor e problemas. Infelizmente, com esse perfil, temos poucos especialistas no Brasil que fazem a Transformação Ágil nas empresas, pois é necessário ter muitos anos de trabalho dentro de empresas para poder entender todo ambiente e propor melhorias. A Transformação Ágil é um processo que requer muita paciência, observação, relacionamento e bastante jogo de cintura para lidar com as mudanças, com as ações e reações das pessoas. Transformar uma empresa em ágil mexe muito com a Cultura Organizacional. Ou seja, com as crenças, regras, percepções, hábitos, normas, comportamentos… Transformar está muito mais ligado as pessoas que ali trabalham e convivem juntos por 8 horas e 5 a 6 dias por semana, do que ferramentas, softwares, hardwares.

Resumindo, vale a pena passar por toda a transformação. É um movimento de “desapego”, alteração de mindset… Mas se você e a sua empresa acreditam que no final poderão ter mais flexibilidade, interatividade, colaboração e compartilhamento de conhecimentos e experiências para criar novos produtos e serviços, façam! Comprem a idéia! Eh nem precisam se preocupar com aqueles colaboradores antigos e resistentes… Eles só terão 2 escolhas: aderir e melhorar, ou sair!

Ah! Você pode pensar que esse artigo é a solução para seus problemas e que eu entreguei o passo a passo ne?! Infelizmente não! Pra fazer tudo isso você vai precisar ter muito conhecimento de gerência de projetos, dinâmicas e facilitações, Coaching, treinamentos para vários papéis, Mentoring em Agilidade, concepção de produtos, processos, didática, força de vontade e carisma, porque sem isso você não sai do lugar. Cada empresa tem uma cultura e você não terá uma unica prescrição para usar em todas elas. Cada empresa é um novo desafio.

Bom, esse artigo é o mínimo que consegui escrever sobre a minha experiência como Especialista em Transformação Ágil e espero que tenho ajudado a esclarecer para muitos o que é e como é feito esse trabalho 🙂

Até breve pessoal!

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